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Artigo sobre meditação contra o envelhecimento

Muito interessante esse texto tão atual que dentre outras coisas aborda o fato de quem medita ter uma tendência a reduzir a “esquiva experiencial” (a tendência natural para suprimir memórias dolorosas, pensamentos, emoções e sensações, em um esforço destinado a obter alívio temporário de um desconforto psicológico). E sabemos que distanciar-se mentalmente do problema pode acarretar consequências negativas no longo prazo.

Meditação contra o envelhecimento
Eduardo Araia – 04/03/2020

Já se sabe há algumas décadas que a meditação traz vários benefícios para a mente e o corpo de seus praticantes. Nos anos 2000, foi descoberta outra qualidade: retardar o envelhecimento. As experiências científicas nesse sentido ainda carecem de dados mais robustos (em geral, o número de participantes é estatisticamente pequeno), mas têm consolidado essa conclusão.Uma das linhas de pesquisa é a desenvolvida por Sara Lazar, da Escola de Medicina da Universidade Harvard (EUA). Utilizando imagens do cérebro, ela constatou que a massa cinzenta dos meditadores aumenta em regiões específicas do cérebro, enquanto em não praticantes ela em geral diminui. De acordo com Sara, a espessura do córtex cerebral de meditadores experientes de 50 anos de idade é semelhante à de não praticantes com 25 anos.

Outra área promissora é a que estuda os telômeros, as capas de DNA e proteínas que protegem as extremidades de cada cromossomo na divisão celular. Em circunstâncias normais, eles ficam um pouco mais curtos a cada vez que o cromossomo se divide, até chegar a um ponto em que a célula não pode mais se replicar. Os estudos mostram que o encurtamento dos telômeros está associado ao surgimento de diversos problemas ligados à idade, como moléstias cardiovasculares, diabete tipo 2, hipertensão e demência.Hábitos pessoais podem acelerar o encolhimento dos telômeros, como o sedentarismo, a falta de sono, a má alimentação e o consumo de cigarros e álcool. O estresse tem lugar de destaque nessa lista, como mostrou uma pesquisa realizada em 2004 pelas americanas Elizabeth Blackburn (prêmio Nobel de Medicina em 2009) e Elissa Epel, então aluna de pós-doutorado da Universidade da Califórnia em São Francisco.

O trabalho originou vários estudos, entre os quais alguns que se dedicaram a avaliar a influência da meditação – reconhecidamente eficiente no tratamento do estresse – nos telômeros. Um deles mostrou que o comprimento dos telômeros do sistema imunológico de pessoas que haviam feito um retiro de meditação intensiva havia aumentado. Outro revelou que, depois de fazerem um retiro semelhante, os participantes apresentaram aumento de atividade da telomerase (enzima que reconstrói os telômeros) e redução na atividade de genes envolvidos nas respostas aos processos inflamatórios e ao estresse.

Comprimento maior

Um trabalho realizado na Universidade de Saragoça (Espanha) e publicado em fevereiro de 2016 na revista “Mindfulness” reforça a argumentação. De acordo com ele, praticantes de meditação zen experientes possuem telômeros mais longos, em média, do que indivíduos de idade e estilo de vida semelhantes.

Os pesquisadores reuniram 20 pessoas que praticavam meditação zen por pelo menos uma hora por dia durante no mínimo dez anos, 20 pessoas que nunca haviam meditado e as correlacionaram por fatores como idade, sexo e estilo de vida (por exemplo, dieta, exercícios físicos, consumo de tabaco ou álcool). Todos os participantes passaram por testes psicológicos e fizeram exames de sangue, a fim de que o comprimento dos telômeros nas células do sistema imunológico fosse medido.

Os dados coletados revelaram que os telômeros dos meditadores estavam em média 10% mais longos na comparação com o grupo de controle. Os pesquisadores recorreram então a uma técnica estatística para detectar quais fatores poderiam estar diretamente relacionados a esse suposto retardamento do envelhecimento celular. Apareceram várias características psicológicas, como satisfação com a vida, felicidade subjetiva e maior habilidade de chegar ao estado de consciência plena e manter-se. Mas três fatores foram vistos como fundamentais pelos cientistas: a idade menor, um elevado nível de autocompaixão e a ausência de “esquiva experiencial” (a tendência natural para suprimir memórias dolorosas, pensamentos, emoções e sensações, em um esforço destinado a obter alívio temporário de um desconforto psicológico).

O último item, em especial, sugere que distanciar-se mentalmente do problema pode acarretar consequências negativas no longo prazo. Esses resultados favorecem o aprofundamento das pesquisas no setor. E, naturalmente, fortalecem a importância da meditação – um remédio totalmente gratuito, que possui múltiplas capacidades e não apresenta nenhum efeito colateral.

Depoimento de um participante do grupo de meditação

Deixo registrado aqui o depoimento de um dos participantes do grupo de meditação que oriento no IMREA/Vila Mariana:

No avizinhar deste novo dia me pego em fazer uns minutos de meditação, nesta jornada diária, sentado num banco de ônibus fretado, me locomovendo da cidade onde moro para o meu trabalho em São Paulo. Após meditar comecei a relembrar de uma conversa que tive em junho de 2013, com  Dra Neuza Sayuri Habu, m?dica do IMREA/Vila Mariana, a qual cuidava das minhas dores crônicas da coluna cervical, quando pela primeira vez ouvi alguém falar sobre fazer MEDITAÇÃO como tratamento auxiliar no COMBATE À DOR. A Dra Neuza me perguntou o que eu achava e se gostaria de tentar. Respondi que não achava nada, mas como tinha total confiança no seu trabalho profissional resolvi  testar este tratamento alternativo.
A Dra  Neusa então me direcionou para uma terapeuta ocupacional, a Dra Maria Inês Paes Lourenç?o, com especialização em MEDITAÇÃO.
E agora estou aqui relembrando esses 3 anos de prática semanal e em grupo de Meditação no IMREA/Vila Mariana.
Deixa-me citar alguns benefícios em que a meditação transformou a minha vida. Aos poucos foi percebendo o quanto a meditação estava me ajudando no alívio de dores e me trazendo também para o aqui e agora; fui me conhecendo; me interiorizando; aprendendo a ouvir mais; desvalorizando coisas fúteis que nada agregam ao ser humano. Acredito que tenho me tornado uma pessoa melhor, tanto no seio da família como no âmbito profissional.
Porém não é tão simples assim, para que os resultados possam ser somatizados você precisa ter disciplina e  praticar a meditação não somente no dia do encontro do grupo, mas diariamente, no mínimo por alguns minutos.
Resumindo, a pratica da MEDITAÇÃO te ajuda no alívio das tensões diárias, consequentemente no alívio das DORES e permitindo você  vivenciar uma sensação gostosa deste aprendizado sobre si mesmo, além do convívio no contexto social. Para finalizar quero deixar registrado que, atualmente, muito mas muito raramente tomo remédio para dor.
LS,  30/09/2016

A verdadeira paz reside em não julgar

Vejam que interessante este artigo que foi publicado na Revista Pazes em abril/2016 (www.revistapazes.com). Ele fala sobre paz, serenidade, equidade e justiça, que são a base da evolução espiritual:

A Verdadeira Paz Reside em não Julgar 

Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte da sua energia. Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia.

Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projetem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de energia.

Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada.

Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia.

O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e ações, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas.
Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranqüilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reações emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluida.
 
Não se dê demasiada importância e seja humilde. Pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões.
 
Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranqüila e benevolente, invisível, misteriosa, indefinível, insondável como um grande sábio.
 

Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos.

Se identifica-se com o êxito, terá êxito. Se identifica-se com o fracasso, terá fracasso.
 
Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos.

Artigo sobre energias negativas e meditação

No site “Verdade Mundial” foi publicado em 09 de julho de 2015, um interessante artigo que incentiva as pessoas a meditarem para deixarem de absorver energias negativas de outras pessoas. 

De fato faz muito sentido o efeito citado pois a pessoa que medita fica mais presente no aqui e no agora, menos sujeita às pressões impostas por fatos externos.
Este artigo foi escrito por Marluce de Oliveira. 

Benefícios da meditação segundo Neurocientista da Harvard

Sara Lazar, neurocientista do Hospital Geral de Massachusetts e da Escola de Medicina de Harvard, foi uma das primeiras cientistas a aceitar as subjetivas reivindicações a respeito dos benefícios da meditação e atenção plena e a testa-los com o uso de tomógrafos computadorizados. O que ela encontrou a surpreendeu – que a meditação pode, literalmente, mudar seu cérebro. Ela explica:

Porque você começou a prestar atenção para a meditação, atenção plena e o cérebro?  

Eu e uma amiga estávamos treinando para a maratona de Boston. Tive algumas lesões por esforço e procurei um fisioterapeuta, que me disse para parar de correr e apenas fazer alongamentos. Então comecei a praticar ioga como forma de fisioterapia. Percebi que era muito poderoso, que eu tinha benefícios reais, então fiquei interessada em saber como funcionava.

A professora de ioga usou de vários argumentos, dizendo que a ioga iria aumentar a compaixão e abrir o coração. E eu pensei: “ok,ok,ok, estou aqui para alongar”. Mas comecei a perceber que eu estava mais calma. Estava mais apta a lidar com situações mais difíceis. Estava mais compassiva e com o coração mais aberto, e capaz de ver as coisas pelo ponto de vista dos outros.

Pensei, talvez fosse apenas uma resposta placebo. Mas então fiz uma pesquisa bibliográfica da ciência, e vi evidências de que a meditação havia sido associada à diminuição do estresse, da depressão, ansiedade, dor e insônia, e ao aumento da qualidade de vida.

A essa altura, estava fazendo meu PhD em biologia molecular. Então simplesmente resolvi mudar e comecei a fazer essa pesquisa como um pós- doutorado.

Como você fez essa pesquisa?

O Primeiro estudo avaliou meditadores de longa data versus um grupo controle. Descobrimos que os meditadores de longa data tem a massa cinzenta aumentada na região da ínsula e regiões sensoriais do córtex auditivo e o sensorial. O que faz sentido. Quando você tem atenção plena, você está prestando atenção à sua respiração, aos sons, a experiência do momento presente, e fechando as portas da cognição. É lógico que seus sentidos sejam ampliados.

Também descobrimos que eles tem mais massa cinzenta no córtex frontal, o que é associado à memória de trabalho e a tomada de decisões administrativas.

Já está provado que nosso córtex encolhe à medida que envelhecemos – se torna mais difícil entender as coisas e se lembrar das coisas. Mas nessa região do córtex pré-frontal, meditadores com 50 anos de idade tinham a mesma quantidade de massa cinzenta que pessoas de 25 anos.

ntão a primeira pergunta foi, bem, talvez as pessoas com mais massa cinzenta no estudo já tivessem mais massa cinzenta antes de terem começado a meditar. Então fizemos um segundo estudo.

Pegamos pessoas que nunca tinham meditado antes, e colocamos um grupo deles em um programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de estresse.

O que você descobriu?

Descobrimos diferenças no volume do cérebro depois de oito semanas em cinco regiões diferentes dos cérebros dos dois grupos. No grupo que aprendeu meditação, encontramos um aumento do volume em quatro regiões:

  1. A diferença principal encontramos no giro cingulado posterior, o qual está relacionado às lembranças e auto- regulação.
  2. O hipocampo da esquerda, o qual dá suporte ao aprendizado, cognição, memória e regulação emocional.
  3. A junção temporoparietal, ou JTP, à qual está associada a tomada de decisões, empatia e compaixão.
  4. Uma área do tronco do cérebro chamada de Ponte, onde muitos neurotransmissores reguladores são produzidos.

amigdala, a parte do cérebro responsável pelo instinto de ataque ou fuga, e que é importante nos aspectos da ansiedade, medo e estresse em geral. Essa área ficou menor no grupo que participou do programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de estresse.

A alteração na amigdala também foi associada a uma redução nos níveis de estresse.

 Então por quanto tempo alguém precisa meditar até que comece a ver mudanças no seu cérebro?

Nossos dados mostram mudanças no cérebro após apenas oito semanas. Em um programa de atenção plena com foco na redução de estresse, nossos pesquisados participaram de uma aula por semana. Eles receberam uma gravação e foram solicitados a praticar por 40 minutos por dia em casa. E foi assim.

Então, 40 minutos por dia?

Bem, foi altamente variável no estudo. Algumas pessoas praticaram 40 minutos todos os dias. Algumas praticaram menos. Algumas apenas umas duas vezes na semana.

No meu estudo, a média foi de 27 minutos por dia. Ou em torno de meia hora por dia.

Ainda não existem dados suficientes sobre quanto alguém precise praticar para se beneficiar.

Professores de meditação lhe dirão, apesar de não existir absolutamente nenhuma base científica para isso, que comentários de estudantes sugerem que 10 minutos por dia podem trazer benefícios subjetivos. Ainda precisamos testar.

Nós estamos apenas começando um estudo que, com grande esperança, nos permitirá acessar quais são os significados funcionais dessas mudanças. Estudos de outros cientistas mostraram que a meditação pode melhorar a atenção e a habilidade de regular a emoção. Mas a maioria dos estudos não foi com neuroimagens. Então agora estamos esperançosos em trazer o aspecto comportamental e a ciência da neuroimagem para trabalharem juntos.

A partir do que já sabemos da ciência, o que você encorajaria os leitores a fazer?

Atenção plena é similar a um exercício. É uma forma de exercício mental, na realidade. E assim como o exercício melhora a saúde, nos ajuda a administrar melhor o estresse  e promove longevidade, a meditação se propõe a partilhar alguns desses mesmos benefícios.

Mas, assim como o exercício, não pode curar tudo. Então, a ideia é de ser útil como uma terapia de apoio. Não é uma coisa em separado. Já foi usado com muitos outros distúrbios e os resultados variam tremendamente – impactam alguns sintomas, mas não todos.  Os resultados são às vezes modestos. E não funciona para todos.

Ainda está muito cedo para se tentar concluir o que a meditação pode ou não fazer.

Então, sabendo-se das limitações, o que você sugeriria?

Lazar: Parece sim ser benéfico para a maioria das pessoas. A coisa mais importante, se você for tentar fazer, é encontrar um bom professor. Porque é simples, mas também é complexo. Você precisa entender o que está acontecendo na sua mente. Um bom professor não tem preço.

Você medita? E você tem um professor?

Sim e sim.

Que diferença fez em sua vida?

Tenho feito isso por 20 anos, então tem uma influência profunda em minha vida. Dá muito “chão” (ancoragem). Reduz o estresse.  Me ajuda a pensar mais claramente. É maravilhoso para interações interpessoais. Tenho mais empatia e compaixão pelas pessoas.

Qual a sua prática pessoal?

Altamente variável. Alguns dias pratico 40 minutos. Alguns dias cinco minutos.  Alguns dias não pratico nada. É muito parecido com exercício. Exercitar-se  três vezes por semana é maravilhoso. Mas se tudo o que você pode fazer é se exercitar um pouquinho todos os dias, isso também é uma coisa boa. Tenho certeza de que se praticasse mais me beneficiaria mais. Não tenho ideia se estou tendo mudanças no meu cérebro ou não.  E é isso que funciona para mim nesse momento.

Texto original: Brigid Schulte
Tradução: Joann Schaly

(Fonte: nowmaste.com.br)

 

Artigo na revista oficial do Conselho de Medicina de São Paulo

Olá para todos, segue o link que mostra um artigo do médico Roberto Cardoso sobre meditação na revista oficial do Conselho de Medicina de São Paulo. Ele ressalta que a meditação deve ser indicada pelos médicos como um recurso de tratamento e também deve ser utilizada por eles mesmos para diminuir seu stress no trabalho: