Artigos de julho, 2013

Meditação e Compassividade

Hoje sabe-se que é possível despertar ou incentivar nas pessoas o sentimento de compassividade, de compaixão, independente da pessoa ser praticante de alguma religião. E a premissa é, quando há depressão e ansiedade devemos cultivar qualidades saudáveis da mente e não se concentrar somente nas emoções negativas.

Um interessante estudo sobre meditação da compaixão publicado na revista Psychological Science está muito bem descrito no site http://www.meditacaobrasil.com.br. Copio abaixo a descrição feita por este site:

 

O sentimento compassivo pode ser despertado nas pessoas através da prática meditação da compaixão independente de religião. E torna as pessoas mais altruístas e menos stressadas.
 
Os pesquisadores da Universidade de Winsconsin-Madison, examinaram pela primeira vez, que as pessoas podem ser treinadas para ser mais compassivas, durante curto período de tempo. Em uma sala de  meditação equipada para investigação científica e um laboratório de imagens cerebrais, eles detectaram que a compaixão conduz a um comportamento mais altruísta e à mudanças relacionadas nos sistemas neuronais.
 
“A teoria é que se praticamos compaixão por meio da meditação, assimilando em nossa própria mente, então isso realmente se expressa quando vê alguém que sofre ou necessita de ajuda” disse Helen Weng, estudante graduada em psicologia clínica do Centro de Investigação de Mentes Saudáveis, autora principal do artigo, em uma entrevista telefônica.
O novo estudo intitulado “O treinamento na compaixão e no altruísmo altera as respostas neuronais ao sofrimento”  foi publicado na revista Psychological Science.
 
Usando imagens de ressonância magnética funcional, os investigadores mediram a quantidade de atividade cerebral modificada entre o princípio e o final do treinamento. Como resultado, perceberam que “as pessoas que eram mais altruístas depois do treinamento na compaixão, foram as que mostraram as maiores mudanças cerebrais ao ver o sofrimento humano”, segundo o comunicado da imprensa.
 
Treinamento da compaixão em laboratório
 
Os investigadores ensinaram os participantes a meditar no Centro de Investigação de Mentes Saudáveis, localizado próximo à orla sul do lago Mendota, próximo a hospitais, centros de investigação médica e ciências de saúde e na ruas do campus, UW-Madison.
 
Durantes duas semanas, os participantes meditaram e praticaram gerando sentimentos de compaixão para três tipos de pessoas em suas vidas.
 
Em primeiro lugar, praticaram a compaixão por um ser querido. Em segundo lugar, praticaram a auto-compaixão e a compaixão por um desconhecido. Por último, praticaram a compaixão por alguém com quem tiveram um conflito, ou com uma “pessoa difícil”.
 
Durante as duas semanas da pesquisa, os participantes escutaram em seus respectivos locais, as instruções de áudio pela internet durante 30 minutos ao dia. Havia também um grupo de controle que praticava a reavaliação cognitiva, que consiste em “uma técnica onde as pessoas aprendem a reestruturar seus pensamentos para sentirem-se menos negativas”, segundo o comunicado da imprensa.
 
Ao retornar para o centro, os investigadores mediram as respostas emocionais no scaner cerebral enquanto os participantes meditavam.
 
“Mostramos a eles imagens de pessoas sofrendo (como uma criança chorando ou uma vítima de queimaduras) e pedimos que gerassem uma resposta compassiva como a que praticavam em casa”, disse Weng. “Foram geradas frases de compaixão, como: que seja liberado do seu sofrimento e que possa sentir alegria e felicidade,  buscando sentir ternura e conforto em seus corações”.
 
Finalmente, veio a prova real. Sem que os participantes soubessem, estavam sendo testados no altruísmo e na probabilidade de que ajudassem a um estranho em necessidade. “Não queríamos que soubessem que estávamos avaliando o comportamento altruísta e lhes dissemos que era um estudo paralelo”, mencionou Weng.
 
Os participantes do estudo, fundamentalmente desempenharam um papel de expectadores. Viram a dois jogadores anônimos no “Jogo de redistribuição”, um intercâmbio financeiro na internet.
 
No jogo havia um “opressor”  e uma “vítima”. O opressor tinha 10 dólares e a vítima não tinha nada. Enquanto que os participantes tinham 5 dólares, dessa forma poderiam ajudar a vítima dentro das circunstâncias, se assim o desejassem.
 
Para cada dólar que o participante desse à vítima, se retirariam dois do opressor para dar à vítima. Os resultados mostraram que os participantes treinados em compaixão foram mais propensos a ajudar a um estranho, em comparação com os participantes do grupo de controle.
 
A hipótese é que a meditação compassiva em realidade aumenta o comportamento altruísta, segundo Weng.
“Então quisemos saber: Bem, como está mudando o cérebro em resposta às pessoas que sofrem?”, disse Weng. Então ao examinar os dados da atividade cerebral, perceberam que quanto maiores as mudanças no cérebro depois de duas semanas de treinamento em compaixão, o participante terminava oferecendo mais dinheiro ao estranho.
 
Os investigadores encontraram essas mudanças cerebrais no córtex parietal inferior, uma região associada com a empatia e a compreensão dos demais.
 
“O treinamento da compaixão também aumentou a atividade no córtex pré-frontal dorso-lateral na medida em que se comunicava com o núcleo accumbens, regiões do cérebro envolvidas com a regulação das emoções e das emoções positivas”, segundo o comunicado da imprensa.
 
“Estão aprendendo mais a aproximar-se, tornarem-se mais amáveis e próximos a essas pessoas que estão sofrendo”, segundo Weng. Porém a prática da compaixão em um monitor de computador é diferente da prática da compaixão na vida real.
 
Compaixão diária
 
Após o estudo, os investigadores perguntaram aos participantes se por acaso se deram conta das mudanças em sua vida cotidiana.
 
“Uma pessoa disse que estava em um supermercado e foi mais amável com a atendente de caixa” e “um pouco mais paciente quando tinham que esperar na fila”, observou Weng.
 
Gravaram também como os participantes se sentiam durante o estudo. “Uma pessoa disse coisas como: No início me sentia muito triste de que essa pessoa estivesse sofrendo, então nesse momento experimentei ternura no meu coração”. Weng disse que “foram diversas experiências”.
 
Para alguns participantes, era fácil sentir compaixão por alguém que realmente estimavam devido a que já  se sentiam conectados com essa pessoa. Porém logo tiveram que praticar a compaixão com eles mesmos, com estranhos e com alguém com quem tinham conflitos, ou com uma “pessoa difícil”.
 
“Às vezes com a pessoa difícil, disseram: estou tentando sentir compaixão, porém estou muito aborrecido”, disse Weng. “Outras pessoas diziam: está bem, entendo porque se comportam assim e dessa forma me sinto um pouco mais compassivo. Os participantes definitivamente tentaram e realmente se sentiram comprometidos com a prática”.
 
Estudando a compaixão
 
“É uma espécie de treinamento com pesos… constatamos realmente que as pessoas podem construir sua compaixão como um ‘músculo’, e responder aos sofrimentos dos demais com atenção e o desejo de ajudar”, disse Weng.
 
Ainda em entrevista telefônica, explicou que a compaixão poderia desenvolver-se como um “músculo”, porque é uma habilidade que já temos dentro de nós, esperando ser utilizada. Por exemplo, Weng disse que os bebês nascem naturalmente com amor e com um sistema para conectar-se com os outros, já que necessitam disso para sobreviver.
 
Porém à medida que crescemos, nos ocorrem muitas coisas e mudamos, “desenvolvemos diferentes experiências e perdemos esse contato”, disse Weng. “Parte desse treinamento consiste em responder, tendo em conta que somos adultos… vivendo em um mundo moderno… Como podemos acessar esse lugar que todos temos dentro de nós?”, questiona.
 
O Dr. Richard J. Davidson, neurocientista reconhecido e pioneiro no estudo dos efeitos da meditação sobre o cérebro, fundou em 2008 o Centro de Investigação de Mentes Saudáveis, onde os investigadores realizam “uma rigorosa investigação científica sobre as qualidades saudáveis da mente, como bondade, compaixão, perdão e atenção”, segundo sua webpage.
 
Alison DeShaw Rowe, especialista em relações públicas para o centro, disse que o Dr. Davidson decidiu por a compaixão no mapa da ciência e estudá-la desde um ponto de vista científico depois que o Dalai Lama fez uma pergunta no início de 1990. “Por que os psicólogos somente se concentram nas emoções negativas como ansiedade e a depressão? Por que não aplicar todas essas ferramentas no estudo das qualidades saudáveis da mente? “, disse DeShaw Rowe.
 
Benefícios de ser mais compassivo
 
Weng apontou outros estudos sobre a compaixão, demonstrando que as pessoas tendem a ter uma resposta menos estressante enquanto são avaliadas; as emoções são mais positivas no dia a dia, e tem maior satisfação com a vida e sofrem menos depressão.
 
“Permite que você aproxime-se das pessoas; no trabalho você torna-se mais amável, ou está mais disposto a trabalhar com novidades”, disse Weng. Continuou dizendo que está interessada no estudo de como a compaixão modifica nossa interação com nossa própria família e amigos.
 
“Creio que se pode demonstrar as pessoas, trata-se de reduzir o foco naquilo que eu necessito para: O que os outros necessitam?”, disse Weng, e agregou que ao fazer dessa forma, em realidade também estava ajudando a si mesma.
 
Qualquer melhora vem com a prática, e tem que iniciar por alguma parte. “Inclusive duas semanas de prática proporcionam alguma mudança”, expressou Weng. “Realmente mostra que pode ser factível, acessível e que a meditação não é somente para os monges”.

Benefícios da meditação comprovados cientificamente

Leiam e vejam que interessante a reportagem do site www.veja.com de 07/07/2013 mostrando os benefícios da meditação já comprovados cientificamente. Abaixo coloco o link e em seguida, a reportagem na íntegra, se preferirem.

http://veja.abril.com.br/noticia/saude/meditacao-ganha-enfim-aval-cientifico

Meditação ganha, enfim, aval científico

Estudos sérios estão afastando as dúvidas que costumavam pairar sobre a prática e mostram que ela é extremamente eficaz no tratamento do stress e da insônia, pode diminuir o risco de sofrer ataque cardíaco e até melhorar a reação do organismo aos tratamentos contra o câncer.
(por Tiago Cordeiro)
meditação Meditação: arma poderosa contra o stress ganha respaldo científico (Thinkstock)

A receita para lidar com dezenas de problemas de saúde é fechar os olhos, parar de pensar em si e se concentrar exclusivamente no presente. A ciência está descobrindo que os benefícios da meditação são muitos, e vão além do simples relaxamento. “As grandes religiões orientais já sabem disso há 2.500 anos. Mas só recentemente a medicina ocidental começou a se dedicar a entender o impacto que meditar provoca em todo o organismo. E os resultados são impressionantes”, afirma Judson A. Brewer, professor de psiquiatria da Universidade Yale.

Iniciada na Índia e difundida em toda a Ásia, a prática começou a se popularizar no ocidente com o guru Maharishi Mahesh Yogi, que nos anos 1960 convenceu os Beatles a atravessar o planeta para aprender a meditar. Até a década passada, não contava com respaldo médico. Nos últimos anos, os pesquisadores ocidentais começaram a entender por que, afinal, meditar funciona tão bem, e para tantos problemas de saúde diferentes. “Com a ressonância magnética e a tomografia, percebemos que a meditação muda o funcionamento de algumas áreas do cérebro, e isso influencia o equilíbrio do organismo como um todo”, diz o psicólogo Michael Posner, da Universidade de Oregon.

A meditação não se resume a apenas uma técnica: são várias, diferindo na duração e no método (em silêncio, entoando mantras etc.). Essas variações, no entanto, não influenciam no resultado final, pois o efeito produzido no cérebro é parecido. Na prática, aumenta a atividade do córtex cingulado anterior (área ligada à atenção e à concentração), do córtex pré-frontal (ligado à coordenação motora) e do hipocampo (que armazena a memória). Também estimula a amígdala, que regula as emoções e, quando acionada, acelera o funcionamento do hipotálamo, responsável pela sensação de relaxamento.

Não se trata de encarar a meditação como uma panaceia universal, os estudos mostram também que ela tem aplicações bem específicas. Mas, ao contrário de outras terapias alternativas que carecem de comprovação científica, a meditação ganha cada vez mais respaldo de pesquisas realizadas por grandes instituições.

Hoje, os estudos sobre os benefícios da meditação estão concentrados em seis áreas.

Os benefícios da meditação:

Redução do stress

Meditar é mais repousante do que dormir. Uma pessoa em estado de meditação consome seis vezes menos oxigênio do que quando está dormindo. Mas os efeitos para o cérebro vão mais longe: pessoas que meditam todos os dias há mais de dez anos têm uma diminuição na produção de adrenalina e cortisol, hormônios associados a distúrbios como ansiedade, déficit de atenção e hiperatividade e stress. E experimentam um aumento na produção de endorfinas, ligadas à sensação de felicidade. A mudança na produção de hormônios foi observada por pesquisadores do Davis Center for Mind and Brain da Universidade da Califórnia. Eles analisaram o nível de adrenalina, cortisol e endorfinas antes e depois de um grupo de voluntários meditar. E comprovaram que, quanto mais profundo o estado de relaxamento, menor a produção de hormônios do stress.
Este efeito positivo não dura apenas enquanto a pessoa está meditando. Um estudo conduzido pelo Wake Forest Baptist Medical Center, na Carolina do Norte, colocou 15 voluntários para aprender a meditar em quatro aulas de 20 minutos cada. A atividade cerebral foi examinada antes e depois das sessões. Em todos os pesquisados, foi observada uma redução na atividade da amígdala, região do cérebro responsável por regular as emoções. E os níveis de ansiedade caíram 39%.
Para quem já está estressado, a meditação funciona como um remédio. Foi o que os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos descobriram ao analisar 28 enfermeiras do hospital da Universidade do Novo México, 22 delas com sintomas de stress pós-traumático. A metade que realizou duas sessões por semana de alongamento e meditação viram os níveis de cortisol baixar 67%. A outra metade continuou com os mesmos níveis.
Resultados parecidos foram observados entre refugiados do Congo, que tiveram que deixar suas terras para escapar da guerra. O grupo que meditou ao longo de um mês viu os sintomas de stress pós-traumático reduzir três vezes mais do que as pessoas que não meditaram – índices parecidos aos já observados entre veteranos americanos das guerras do Vietnã e do Iraque.

Melhoria do sistema cardiovascular

A Universidade de Ciências da Saúde da Geórgia conseguiu melhorar a sobrecarga cardíaca de 31 adolescentes americanos hipertensos. Os jovens apenas acrescentaram um hábito a suas rotinas: meditar duas vezes por dia, durante 15 minutos, ao longo de quatro meses. Outros 31 receberam orientações médicas, mas não meditaram. A primeira metade terminou o período de testes com a massa do ventrículo esquerdo menor – sinal de redução dos riscos de desenvolver doenças cardíacas e vasculares.
Outro levantamento, este da Universidade da Califórnia em Los Angeles, mediu o acúmulo de gordura nas artérias de 30 pessoas com pressão alta. Depois de meditar 20 minutos, duas vezes por dia, ao longo de sete meses, a quantidade estava menor, enquanto que ela não havia sido alterada no grupo de controle.
Meditar também é útil para reduzir em 47% as chances de ataque cardíaco e infarto em adultos. Foi o que concluiu a Associação Americana do Coração, depois de acompanhar um grupo de pacientes de 59 anos de idade, em média, ao longo de nove anos, de 2000 a 2009. Todos continuaram recebendo a medicação necessária, mas metade foi convidada a participar de sessões de meditação sem regularidade definida. Neste grupo, a pressão arterial caiu significativamente. “Foi como se a meditação funcionasse como um medicamento totalmente novo e muito eficiente para prevenir doenças cardíacas”, afirma o fisiologista americano Robert Schneider, diretor do Center for Natural Medicine and Prevention e responsável pelo estudo.

Insônia e distúrbios mentais

Técnicas de relaxamento profundo, colocadas em prática durante o dia, podem melhorar a quantidade e a qualidade do sono. É o que aponta um estudo de 2008, do Northwestern Memorial Hospital, de Illinois. Cinco pessoas, com 25 a 45 anos e sofrendo de insônia crônica, foram submetidas a meditação durante dois meses. Passaram a dormir duas horas a mais por dia e alcançaram níveis de sono REM mais próximos do considerado saudável.
Em muitos casos, a insônia é sintoma de depressão. A meditação também funciona para atacar a causa. A Universidade da Califórnia conseguiu reduzir os casos de depressão entre 20 idosos com um simples programa de oito semanas de relaxamento, meia hora por dia. “No limite, meditar atrasar o aparecimento de sintomas do Alzheimer. A depressão na terceira idade é um fator de risco para o desenvolvimento desta doença”, afirma o psiquiatra Michael Irwin, professor do Semel Institute for Neuroscience and Human Behavior da universidade.
O psicólogo Michael Posner e o neurocientista e professor da Universidade de Tecnologia do Texas Yi-Yuan Tang mediram a densidade dos axônios de pessoas que começaram a meditar. Quanto mais densos, maior a capacidade de realizar conexões cerebrais e menores os riscos de sofrer distúrbios mentais, de depressão a esquizofrenia. “A quantidade de conexões cerebrais está diretamente relacionada à saúde mental. Neste sentido, podemos dizer que a meditação é um exercício para a mente, excelente para deixá-la mais ‘musculosa’ e prevenir doenças”, afirma o professor Posner.

Alívio da dor

Quem tem a meditação como hábito sente menos dor. O pesquisador Joshua Grant, do Departamento de Fisiologia da Universidade de Montreal comprovou esta hipótese encostando placas aquecidas nas nucas de 26 pessoas, 13 delas sem contato com a técnica e outras 13 com mais de 1000 horas de experiência em meditação. A placa era aquecida a 46 graus, depois 47, e assim sucessivamente, até 56. Todos os meditadores suportaram temperaturas acima dos 52 graus.
Nenhuma das pessoas inexperientes aguentou mais do que 50 graus. Na medida, o grupo que medita respirou 12 vezes por minuto. O outro respirou 15 vezes, um indício de stress maior. “As pessoas que meditam precisam menos de analgésicos. Elas sofrem menos pela antecipação da dor”, diz Grant, que, no cruzamento de dados, concluiu que o hábito de meditar provocou uma resistência à dor 18% maior. De acordo com um grupo de neurocientistas do Center for Investigating Healthy Minds da Universidade de Wisconsin-Madison, a resistência de quem medita é maior em situações em que o stress influencia diretamente no nível de dor – caso de artrite e inflamações intestinais.
 Reforço do sistema imunológico

O sistema imunológico também é favorecido. “O aumento da atividade cerebral relacionada a pensamentos positivos tem influência direta na maior produção de anticorpos. A meditação também intensifica a ação da enzima telomerase”, diz Judson A. Brewer, de Yale. As implicações desta descoberta são fundamentais para o tratamento de tumores malignos. A Associação Americana de Urologia já declarou que a meditação é recomendada para ajudar a conter o câncer de próstata.
Também ajuda a lidar com o câncer de mama. Um grupo de 130 mulheres com a doença, todas com mais de 55 anos, aceitaram participar de um teste que reforça esta teoria. Ao longo de dois anos, elas foram divididas em dois grupos, um deles fazendo meditação. A situação foi monitorada pelos médicos do Saint Joseph Hospital, em Chicago. A metade que meditou teve maior resistência para lidar com as dores provocadas pela quimioterapia e experimentou uma reação física melhor à doença.

Melhoria na concentração

Na escola estadual Bernardo Valadares de Vasconsellos, em Sete Lagoas (MG), os 1.400 alunos fazem, todos os dias, o Tempo de Silêncio. Quem desejar pode aproveitar os 15 minutos para meditar. Quem não quiser, pode apenas descansar. A iniciativa foi inspirada pela Fundação David Lynch, que já orientou a criação de programas de meditação na escola estadual Presidente Roosevelt, em São Paulo, e na escola estadual Helio Pelegrino, no Rio de Janeiro.
“Estimamos que 20% dos estudantes continuam meditando por conta própria”, diz Joan Roura, diretor da fundação no Brasil. “Alunos que meditam são mais tranquilos, mais focados e têm maior capacidade de apreender informações.” A prática rende melhores notas: entre 235 crianças de colégios de Connecticut que começaram a meditar, representou um aumento de 15% nas provas e avaliações.
As áreas do cérebro responsáveis pela memória e pela atenção chegam a ficar mais densas quando se medita. Foi a conclusão a que chegaram pesquisadores de Harvard, Yale e MIT, municiados por scanners de cérebro. Pessoas que mediram com frequência ao longo de vários anos também demoram mais para sofrer a redução destas áreas, em especial o córtex frontal.
“Um estudante que medita pode ter melhores notas, uma vida mais saudável e boas condições de lutar por melhores postos no mercado de trabalho, com menor tendência para sofrer doenças cardiovasculares, stress ou distúrbios mentais”, diz Judson A. Brewer. Em resumo: “Meditar é uma boa forma de alcançar uma vida mais feliz, saudável e produtiva”.