Artigos de maio, 2013

A Meditação e o uso de imagens mentais

A imagem é um processo de pensamento que evoca o uso de todos os nossos sentidos, como visão, audição, olfato, gustação e a sensação que temos quando estamos em movimento. É como estabelecer um diálogo ativo com o inconsciente, estando a pessoa em estado de vigília.

Os atletas conhecem e utilizam uma atividade chamada treino mental, ou seja, eles imaginam que estão realizando todos os movimentos ligados à sua prática esportiva da forma mais perfeita possível. Sabe-se que este treino aumenta sua performance no momento da realização dos exercícios de forma física. Sabe-se que quando se imagina um movimento, ocorre uma pequena atividade elétrica na musculatura responsável pela realização do mesmo de forma real (Schmidt, 1993). Esta pequena atividade elétrica muscular é imperceptível para produzir movimento muscular, mas perceptível através da eletromiografia.

Sabemos também que assim como as imagens reais que vemos são carregadas de energia, as que construímos não tem volume nem massa mas tem energia. Elas tem energia principalmente por estarem diretamente ligadas à nossa intenção e podem ser direcionadas para a cura, se desejarmos.

Há relatos de que provavelmente Avicena, filósofo do Islã nascido por volta de 980 d.C. tenha sido a primeira pessoa a afirmar que a imaginação pode curar ou adoecer.

O uso de imagens sempre foi muito pesquisado, por vários autores renomados. Esta utilização é também chamada de “Imaginação ativa” por Carl Jung,  “Sonho acordado dirigido” por Robert Desoille, de “Psicossíntese” por Roberto Assagioli, de “Imaginação dirigida” por Hanscarl Leuner, de “Visualização criativa” por Gerald Epstein e de “Mundo imaginal” por Henry Corbin.

A prática da Meditação nos traz para o aqui e agora e favorece nossa atenção e concentração, tão importantes para nos auxiliar na prática do uso de imagens. Com a prática da meditação percebemos que a cada dia as imagens parecem mais reais e sua utilização, mais fácil.

 

Reportagem sobre Meditação na Folha de São Paulo

Vejam que interessante a reportagem na Folha de São Paulo do dia 21/05/2013 que fala sobre um estudo científico realizado na Universidade de Carolina do Norte (EUA) e publicado recentemente no “Psycological Science”, sobre os benefícios salutares para quem pratica a Meditação da compaixão.

A corrente da felicidade

Estudo mede o efeito no corpo de sentimentos positivos gerados por uma técnica de meditação compaixão

Uma nova pesquisa da Universidade da Carolina do Norte (EUA) conseguiu descobrir um dos mecanismos que fazem as emoções influenciarem a saúde física das pessoas. A ambição do estudo era medir o efeito da felicidade no corpo.

Os pesquisadores, liderados pela psicóloga Bethany Kok, do Instituto Max Planck para Ciências do Cérebro e da Cognição, demonstraram que emoções positivas levam a melhores conexões sociais e essas, por sua vez, melhoram a saúde física, o que aumenta a sensação de felicidade.

Para comprovar que essa “corrente da felicidade” atua diretamente no corpo, os pesquisadores mediram a atividade do nervo vago dos 65 participantes do estudo.

Esse nervo craniano tem a função de transmitir informações sobre o funcionamento do corpo para o cérebro e coordenar as respostas reflexas dos órgãos, como batimentos cardíacos, respiração e contrações musculares.

A atividade basal (com a pessoa em repouso) do nervo vago de cada participante foi medida no início e no final do estudo, que durou 61 dias.

Nesse período, metade dos participantes frequentaram uma sessão por semana de meditação da compaixão, técnica que busca o desenvolvimento de sentimentos de amor e boa vontade para consigo mesmo e com os outros (incluindo desafetos).

Durante a pesquisa, todos os participantes preencheram relatórios sobre a intensidade das emoções sentidas a cada dia, em uma lista de 20 emoções –de amor e serenidade a desprezo e ódio– e deram notas para as suas interações sociais conforme a intimidade e a conexão que sentiram ao se relacionarem com outras pessoas.

Em artigo publicado neste mês no jornal “Psychological Science”, os pesquisadores afirmam que a percepção das conexões sociais é o mecanismo que faz com que as emoções positivas melhorem a saúde física. E que técnicas de meditação como a usada no experimento são uma forma de criar esse círculo virtuoso: emoções, conexão social e boa saúde.”

Meditação e Eneagrama

A prática da Meditação associada ao conhecimento do Eneagrama nos auxiliam na ampliação de nossa consciência como um todo.

Texto de minha autoria publicado no site Mundo Eneagrama.

Como sabemos o Eneagrama é um sistema de tipologia de personalidades que explica nossas estruturas egóicas através de nove padrões de pensamentos, sentimentos e ações.

Observo que as pessoas, quando conhecem o Eneagrama, tem reações diversas.  Algumas tem dificuldade em reconhecer seu próprio tipo, pois muito do que apresentamos quando estamos imersos em nosso tipo são questões inconscientes. Outras reconhecem seu próprio tipo, mas ficam muito mais sensibilizadas em perceber os tipos de pessoas próximas, isto é, não despertam para o imenso potencial que tem o Eneagrama de nos apontar questões a serem trabalhadas em nós mesmos. Essa atitude tem a ver com o fato de que muitas vezes acreditamos erroneamente que se as outras pessoas fossem diferentes, nós poderíamos ser mais felizes.

Sombra, segundo Jung (1945) é “a coisa que uma pessoa não tem desejo de ser”. Sombra, em psicologia analítica, refere-se ao arquétipo que é o nosso ego mais sombrio. É, por assim dizer, a parte animalesca da personalidade humana. Para Jung, esse arquétipo foi herdado das formas inferiores de vida através da longa evolução que levou ao ser humano. A sombra contém todas aquelas atividades e desejos que podem ser considerados imorais e violentos, aqueles que a sociedade, e até nós mesmos, não podemos aceitar.

Se pensarmos nesse conceito de sombras e na importância do reconhecimento das mesmas em nós, veremos o quanto o Eneagrama pode nos auxiliar, como um mapa, em nosso auto-conhecimento. Reconhecer em nós o que há de “errado”   é extremamente libertador. Posso citar meu exemplo pessoal: me lembro que eu, quando descobri que era um tipo 6 do Eneagrama me surpreendi ao saber que sentia medo (eu me via apenas como uma pessoa precavida, eu não reconhecia o medo em mim). Mas foi muito interessante descobrir, aceitar e “deglutir” isso, senti de fato uma libertação. É como diz o ilustre David Daniels (2003), o Eneagrama não deve servir para nos colocar dentro de caixinhas, mas sim para nos libertar delas. Talvez quem, ao conhecer o Eneagrama, passe apenas a numerar as pessoas, esteja se colocando e colocando os outros em caixinhas.

A Meditação é uma técnica simples que desencadeia um estado de consciência diferente do sono e da vigília e que proporciona um relaxamento profundo do corpo e da mente. À medida em que a mente, os turbilhões de pensamentos se aquietam, nos damos conta de nossos padrões de pensamento, sentimento e ação. Segundo Cardoso (2005) a Meditação pode ser ativa, passiva ou mista:

  • ativas catárticas (atividade física intensa realizada até quase a exaustão).
  • ativas de movimento (o movimento corporal é a âncora, por ex., giro sobre o próprio eixo).
  • passivas concentrativas (a âncora é um som, uma visualização, um foco natural, por ex., concentrar-se na própria respiração).
  • passivas perceptivas (sem âncora definida).
  • mistas.

Uma vez que quando meditamos entramos em contato com nossos padrões de pensamentos, sentimentos e ações, e estes são descritos muito pormenorizadamente pelo Eneagrama, fica simples entender que a prática da Meditação favorece que você vá entrando em contato com suas sombras, que você vá “relaxando” as questões negativas de seu tipo eneagramático. E conhecendo o Eneagrama, fica mais fácil cursar esse caminho.

O relaxamento alcançado através do estado alterado de consciência provocado pela Meditação é de quatro a cinco vezes maior do que aquele que alcançamos durante o sono. E as respostas físicas foram comprovadas através de inúmeros trabalhos científicos: os batimentos cardíacos diminuem, a respiração e o metabolismo ficam mais lentos, o fluxo sanguíneo decresce, diminuindo o stress e favorecendo a prevenção do mesmo.

Além disso, a Meditação nos traz para o aqui e agora, para o momento presente. O dia a dia estabelece em nós uma doentia ligação com o passado e com o futuro, ficamos focados nos arrependimentos, mágoas, lembranças e saudade em relação ao que já passou. Ou então nas ansiedades, temores, preocupações e expectativas em relação ao que ainda virá. Com isso, somos afastados do único tempo que realmente nos pertence: o instante presente. No entanto, é no presente que tudo pode acontecer. Ele é tudo o que realmente possuímos. É no presente que praticamos a arte de viver e de modificar as coisas, se quisermos.

Ou seja, a prática da Meditação associada ao conhecimento do Eneagrama nos auxiliam na ampliação de nossa consciência como um todo.

É sempre bom lembrar que o processo de autoconhecimento ocorre até o fim de nossas vidas. Talvez seja por este motivo que no Sufismo se diz: “permaneço um idiota”, “nada sei”. É para lembrarmos sempre de que nunca estaremos prontos, nunca podemos saber de tudo relacionado à vida.